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A formiga no carreiro

A formiga no carreiro

15.Jan.08

UGT diz que inflação confirma irrealismo do Governo

A UGT considerou hoje que a taxa de inflação em 2007, que se situou nos 2,5 por cento, confirma o irrealismo das previsões do Governo e volta a comprometer a evolução do poder de compra dos portugueses.

«A previsão do Governo tem sido, nos últimos anos, um elemento de forte perturbação da política económica. Mas tem sido sobretudo um elemento de desestabilização da política de rendimentos e da negociação colectiva, com impactos negativos sobre o crescimento real dos salários, pensões e demais rendimentos», refere a UGT em comunicado.

Segundo a central sindical, os desvios entre a inflação prevista e a inflação verificada repetem-se desde 1998, ou seja, há 10 anos consecutivos e totalizam já 7,1 pontos percentuais.

A UGT ressalva, no entanto, que tal não significa que tenha existido uma sistemática perda de poder de compra dos trabalhadores ao longo destes anos, apesar de que em 2003 e 2004 as remunerações reais decresceram.

Já para os trabalhadores da Administração Pública, essa perda ocorre ininterruptamente desde o ano 2000.

A taxa de inflação esperada continua a ser o principal referencial para a actualização dos salários e da generalidade dos rendimentos, pelo que a UGT considera «totalmente inaceitável para o futuro» a persistência destes desvios da inflação.

A UGT defende assim que «é fundamental que a estimativa da inflação se transforme num referencial realista e credível para a política de rendimentos e para a negociação salarial».

E considera urgente alterar uma política que continua a apostar na «moderação salarial» como principal factor de consolidação das contas públicas e de controlo da taxa de inflação.

Para 2008, o Governo insiste em manter uma previsão de descida da inflação (2,1 por cento), quando a generalidade dos organismos internacionais prevêem a sua estabilização.

«A previsão do Governo para a inflação em 2008 é desajustada do quadro macroeconómico nacional e internacional, onde as incertezas quanto à evolução dos preços de combustíveis e de matérias primárias assumem um papel relevante«, refere a central sindical.

A taxa de inflação média situou-se em 2,5 por cento em 2007, acima da previsão de 2,3 por cento do Governo para o conjunto do ano, de acordo com os dados do INE, hoje divulgados.

A taxa de inflação de 2007, ficou, no entanto, seis décimas de ponto percentual abaixo da verificada em 2006, quando foi de 3,1 por cento, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Os analistas contactados pela agência Lusa já apontavam para uma ultrapassagem das previsões do Governo, com a taxa de inflação média a situar-se em 2,5 por cento.

Em Dezembro de 2007, a taxa de inflação homóloga atingiu 2,7 por cento e em relação ao mês anterior, de Novembro, os preços aumentaram 0,1 por cento, refere o INE.

Fonte Diário Digital / Lusa