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A formiga no carreiro

A formiga no carreiro

25.Nov.08

Tensão e desânimo nas aulas

Avaliação de professores domina conversas nas escolas

 

Luta contra ministério altera rotinas escolares.

É na sala de professores da Escola Secundária José Afonso, no Seixal, onde é mais visível o descontentamento generalizado pelo actual modelo de avaliação de professores. “É completamente absurdo impedir que dois terços dos professores possam atingir o topo de carreira. Só isto é extremamente pesado para qualquer pessoa que está na profissão”, diz José Esteves, professor de Matemática.


À porta da escola, alguns pais mostravam-se preocupados com o eventual prejuízo que possa advir para os filhos devido à luta dos professores. Os alunos, que na sua maioria parecem um pouco distantes da polémica, garantem, no entanto, que não notam qualquer diferença na sala de aula.


Desgaste O desânimo e desgaste provocados pela avaliação marcam também o dia-a--dia dos professores da Escola Clara de Resende, no Porto. Embora garantam que o tentam disfarçar nas aulas, esse lado emocional despertou já os pais para possíveis consequências negativas.


Alguns pais, apesar de considerarem que os docentes terão as suas razões, criticam já algumas alterações nas rotinas da escola, como greves e o facto de “bons” professores estarem a pedir a pré-reforma. Receios tem uma mãe de dois rapazes que frequentam a escola e que, sob o anonimato, disse que “os filhos queixam-se que as aulas já não são dadas com interesse”.


“Tempo mau”
As reformas na Educação interferem também no ânimo de pessoal e pais de alunos da Escola Secundária  de Serpa, Beja.
Os docentes dizem estar “desgastados” e “frustrados”, mas também os alunos alegam estar a atravessar um “tempo mau”. “ É a primeira vez que vejo isto assim. Nunca vi um tempo tão mau, para alunos e professores”, diz Sérgio Garcias, de 18 anos, aluno do 12º ano naquela escola alentejana, que tem cerca de 430 estudantes.

 

 

Os pontos da discórdia
O princípio
- O Ministério da Educação (ME) conce beu um modelo de carácter administrativo, acusam os sindicatos; os professores defendem uma avaliação formativa, para melhorar as competências científico-didácticas dos docentes. “Os professores são todos avaliados segundo os mesmos critérios”, critica João Grancho, presidente da Associação Nacional de Professores.

 

As quotas e as categorias - O modelo do ME estabelece quotas de avaliação e duas categorias: professores e professores titulares.
Na opinião de João Grancho, esta lógica “fractura a carreira de docente”. Os sindicatos defendem que qualquer professor, desde que avaliado com Bom, pode ascender ao topo de carreira.
Mas, segundo o ME, é preciso primeiro tornar-se professor titular, depois de um exame. Nas contas dos sindicatos, apenas dois terços dos professores chegarão assim ao topo de carreira.


Hierarquização e burocratização -  O modelo cria “promiscuidade” ao permitir que o avaliador seja avaliado pelos seus pares, defendem os sindicatos. Por outro lado, dizem, as fichas de avaliação e ins tru mentos de registo são burocráticos e contribuem para a sobrecarga horária. A ministra da Educação garante que vai simplificar este aspecto e compensar horas extras. E os professores serão agora avaliados por colegas da mesma área.
“E aqueles que são únicos no seu departamento, como os de Espanhol?”, interroga João Grancho.

 

Os critérios - Os resultados dos estudantes, segundo o modelo do ME, é contabilizado para a avaliação, um critério contestado pelos sindicatos, que consideram que há outros factores para esses resultados para além do trabalho do docente. Também neste aspecto, a ministra já recuou.
Fonte Metro (aqui)

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