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A formiga no carreiro

A formiga no carreiro

21.Jan.08

Novos trabalhadores só têm reforma completa aos 68 anos

Quem entrar no mercado de trabalho em 2008 será obrigado a trabalhar mais três anos.

As gerações mais novas vão sofrer mais os efeitos das novas regras das pensões do que quem já está perto da idade da reforma. Quem a partir deste ano começar a trabalhar e a descontar para a Segurança Social terá de manter-se na vida activa até aos 68 – ou seja mais três face ao actual limite – para anular o efeito negativo das novas regras das pensões, indica um estudo feito pela Watson Wyatt, uma empresa internacional de consultadoria. Caso contrário – e se não tiver iniciado um plano de poupança complementar para a reforma (a situação da maioria dos portugueses) – terá um corte na pensão de 22%.

Os analistas da Watson defendem que a introdução do novo factor de sustentabilidade no cálculo da pensão – feita em Janeiro deste ano e que diminui o valor da prestação mensal em função da subida da esperança média de vida – vai levar ao aumento progressivo da idade da reforma de modo a manter o valor da pensão. O cenário é cada vez mais gravoso com o avançar do tempo. Este ano, um trabalhador com uma carreira contributiva de 34 anos necessita de trabalhar apenas mais um mês para anular o impacto do factor de sustentabilidade. Já daqui a 10 anos, assumindo que o valor do factor de sustentabilidade se mantém nos actuais 0,56% – um pressuposto optimista, uma vez que o Governo prevê que a esperança média de vida cresça um ano por cada década – o beneficiário terá de trabalhar mais um ano para conseguir absorver o impacto negativo. Em 2048, a Watson Wyatt calcula que um trabalhador com uma carreira contributiva de 34 anos tenha de trabalhar até aos 68 anos.  

A reforma da Segurança Social prevê que os beneficiários possam eliminar o efeito do factor de sustentabilidade através de uma bonificação mensal para os trabalhadores que optem por permanecer no mercado de trabalho após a idade da reforma.


Pensão média desce de 908 para 744 euros em 2050
Segundo os cenários avançados pelo Governo, com a aplicação do factor de sustentabilidade, as pensões vão continuar a crescer, mas mais lentamente do que cresceriam se as regras da Segurança Social não fossem alteradas. Caso as regras se mantivessem, a pensão média chegaria a 2050 ao valor de 908 euros. Com a aplicação do novo factor de sustentabilidade, a pensão média nesse ano será de 744 euros. Actualmente, segundo dados do Ministério do Trabalho, o valor médio das pensões ronda os 450 euros.

O novo factor de sustentabilidade é a alteração decorrente da reforma da Segurança Scoial que terá maior impacto na sustentabilidade do sistema, permitindo uma redução na despesa com pensões de 1,5% do PIB em 2050.


Portugueses são dos que menos poupam para a reforma
Os portugueses são os que menos poupam para a reforma. A conclusão é de um estudo da Fidelity Internacional realizado em nove países da Europa. Apenas 25% dos portugueses começaram a precaver o futuro e a poupar para a reforma, enquanto a larga maioria – 44% – não começou nem planeia fazê-lo. Só 22% têm intenção de o fazer, embora ainda não tenham começado e os restantes 9% dizem não saber se irão preparar-se financeiramente para a reforma. Os italianos são também dos que menos pensam na reforma, com 32% da população a reconhecer que ainda não começou a poupar. Segue-se Espanha com 27%.


Como combater

-  Em 2048, um trabalhador com uma carreira contributiva de 34 anos terá de trabalhar até aos 68 anos para ter direito à pensão por inteiro. Caso contrário, terá um corte de 22% na pensão.

-  Para combater a redução, em vez de trabalhar mais anos, o beneficiário poderá acautelar essa situação descontando, durante a sua vida activa, para um plano de pensões complementar (além do que já desconta para a Segurança Social). Além dos fundos privados, o Governo prepara-se para aprovar um regime de capitalização público.

Fonte Diário Económico, edição de 21 de Janeiro de 2008. Link da notícia (aqui)