Sindicatos criticam limitação de prendas e circulação de trabalhadores entre serviços na função pública
As polémicas propostas do Conselho de Prevenção da Corrupção (CPC) para os serviços públicos - a limitação do valor das prendas aos funcionários e a circulação dos trabalhadores para evitar relações de proximidade com utentes - foram ontem recebidas com duras críticas pelo presidente do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado, Bettencourt Picanço, e pela coordenadora da Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública, Ana Avoila.
Estas duas regras integram o código deontológico dos serviços do Estado cuja adopção o conselho vai propor, como anunciou ao PÚBLICO o presidente deste organismo, Guilherme d'Oliveira Martins.
"Pôr o acento tónico nos trabalhadores e nas prendas que podem receber como se estivesse aí o cerne da corrupção é motivo para nos preocuparmos. Alguém está a querer pôr uma venda nos olhos dos portugueses", comentou Bettencourt Picanço, em declarações à Antena 1. "Não conheço nenhum sistema de prendas dentro da administração pública. Se alguém conhecer, deve accionar [os competentes] mecanismos, nomeadamente [abrir] inquéritos", defendeu Ana Avoila.
Em sentido contrário, Nobre Santos, presidente da Frente Sindical da Administração Pública, disse entender que "haja limitações relativamente a supostas prendas ou ofertas". Quanto à circulação de funcionários entre serviços, não se opõe à partida, mas frisa que é necessário analisar a maneira como "a mobilidade interna deve ser feita".
Fonte Público (aqui)