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A formiga no carreiro

A formiga no carreiro

02.Mai.13

A nova meta da `troika` para a dívida pública neste ano será difícil de alcançar, pois esperam uma redução de 3,4 mil milhões de euros quando o défice deve ser superior e a recessão mais profunda, considera a UTAO.

Numa atualização à avaliação que fez das Contas Nacionais do quarto trimestre, a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) diz que existem "riscos não negligenciáveis para a concretização dessa projeção num contexto em que persistirá uma contração do produto nominal e elevadas necessidades de financiamento (e que, inclusivamente, até foram revistas em alta").


A nova projeção feita na sétima revisão do Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF) prevê uma redução da dívida pública face a 2012 de 3,4 mil milhões de euros, sendo a revisão mais significativa face à anterior projeção, que foi feita na quinta avaliação, e onde se previa um aumento da dívida pública em 2013 de 8,3 mil milhões de euros.

Assim, a `troika` espera agora que Portugal feche o ano com uma dívida de 201,1 mil milhões de euros em vez dos 206,4 mil milhões de euros previstos na quinta avaliação.


"Note-se que esta projeção agora avançada para a dívida pública contraria a evidência observada nos últimos três anos, uma vez que nesse período a variação da dívida revelou-se superior aos défices públicos", relembram os técnicos independentes que funcionam junto da Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública.

A UTAO alerta para a dificuldade de concretizar esta meta, embora avançando algumas medidas que podem ser tomadas para o conseguir.


"A redução da dívida pública em 2013, num contexto em que as necessidades líquidas de financiamento foram revistas em alta, não será fácil de concretizar devido à existência de um efeito dinâmico intrínseco à própria dívida, embora aquela eventual redução se possa vir a suportar em operações de caráter discricionário com impacto ao nível do ajustamento défice-dívida", diz.

As autoridades nacionais e internacionais terão explicado que as necessidades de financiamento adicionais serão, "sobretudo, cobertas por via de receitas de privatizações" e a utilização da liquidez existente no Tesouro para mais operações de cessão de crédito de entidades públicas, que passam para as mãos do Estado, assim como para a amortização de dívida.


A UTAO explica ainda que "a quebra da receita absorveu cerca de metade da diminuição observada ao nível da despesa pública" e que esta diminuiu sobretudo devido à despesa com pessoal e à despesa de capital.

A impedir uma queda ainda maior da receita terá estado um aumento das receitas com derivado do aumento das tarifas de transporte das empresas públicas e ainda as receitas provenientes das comissões recebidas relativas a empréstimos avalizados pelo Estado e dos juros de empréstimos recebidos, no âmbito das medidas de apoio ao setor bancário.

02.Mai.13

Operação Rigor Mortis. Gaspar destrói mais de 208 mil empregos até ao próximo ano

A economia portuguesa vai continuar a destruir empregos até ao final de 2014, ano em que deverão existir menos de 4,43 milhões de trabalhadores no país, contra os 4,63 milhões existentes no final do ano passado. Odesemprego só começará assim a recuperar em 2015 – uns meros 0,4% ou 17 mil novos empregos –, com o total de remunerações pagas em Portugal a reflectir isso mesmo:os valores pagos vão cair 950 milhões de euros entre o final de 2012 e o final de 2014, passam de 79,2 mil milhões para 78,3 mil milhões.
Esta visão para a evolução do mundo do trabalho em Portugal vem no Documento de Estratégia Orçamental (DEO), divulgado esta semana pelo executivo. O ano de 2014 será assim o de todos os picos negativos:será o ano em que Portugal atingirá a maior taxa de desemprego de sempre e o ano em que as remunerações totais atingirão um novo mínimo. Ainda assim, é precisamente em 2014 que Vítor Gaspar prevê que o consumo privado volta o crescer, depois de nova queda abrupta este ano.


Oconsumo privado, a parcela que mais sustenta o PIB português, vai recuar um total de 3,4 mil milhões de euros ao longo deste ano, passando dos 107,4 mil milhões de euros em 2012 – já uma queda de 5,6% face a 2011 –, para menos de 104 mil milhões de euros. No ano seguinte, em 2014, o governo estima que o consumo das famílias já suba 0,1%, isto apesar dos valores negativos antecipados para desemprego e salários.
A evolução esperada para o mercado do trabalho irá fazer com que o Estado passe a gastar mais cerca de 300 milhões de euros com o subsídio de desemprego de 2012 para 2013, para 2,9 mil milhões de euros. A factura continua a crescer nos anos seguintes, chegando a um pico de 2,97 mil milhões de euros em 2015. Tanto em 2016, como em 2017, o executivo estima que esta prestação social já entre em queda, ainda que prossiga acima dos valores de 2012 – o Estado gastou 2,65 mil milhões no ano passado com estes subsídios que porém, beneficiam só uma parte dos desempregados.

Aluz que o governo promete Já tantas vezes prometida, a recuperação económica que o governo antecipava para meados deste ano, está agora prometida para 2014. É nesse ano que Vítor Gaspar agora promete algum crescimento (0,6% do PIB), prometendo de seguida três anos seguidos de crescimentos a rondar os 2% – em 2015, 2016 e 2017, economia vai expandir 1,5%, 1,8% e 2,2% nas contas de Vítor Gaspar. Crescimentos baseados nas exportações e retoma do consumo privado, que entre 2015 e 2017 subirá 1% ao ano.


Com alguma animação da procura interna virá um aumento das receitas fiscais. Oexecutivo estima chegar a 2017 com mais 3,46 mil milhões de euros em receitas anuais de impostos do que terá no final deste ano – de 39 mil milhões para 42,4 mil milhões.
Isto quer dizer que grande parte da recuperação económica do país, assenta nas exportações, que por sua vez dependem do crescimento mundial, e da expectativa de evolução positiva do consumo das famílias. O consumo do Estado vai continuar em queda – 2% ao ano –, alimentando mais desemprego.


02.Mai.13

Taxa de emprego em Portugal é a mais baixa dos últimos 27 anos

 No final de 2012, apenas 50,3% da população estava empregada. Só em 1986 se atingiu um nível semelhante.







O Dia do Trabalhador assinala-se nesta quarta-feira com o nível de emprego mais baixo dos últimos 27 anos em Portugal e com uma taxa de desemprego que já atinge 17,5% da população activa.

Os números mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que no último trimestre de 2012 a taxa de emprego desceu para os 50,3%. É preciso recuar ao final de 1986 para encontrar uma taxa de emprego semelhante. Estes números estão longe dos níveis de emprego verificados no início do século XXI (no final de 2002 chegou aos 59,2%).


Esta situação é resultado das políticas de austeridade que têm vindo a ser seguidas e da recessão económica, razões que também estão por detrás do desemprego que mês após mês bate recordes. No quarto trimestre de 2012 o desemprego afectava 923 mil pessoas e a taxa apurada pelo INE chegava aos 16,9%.


Estes valores já foram ultrapassados e em Março o Eurostat dá conta agora de 17,5%. O ponto de viragem tarda em aparecer e as previsões mais recentes revelam que o emprego continuará a recuar e o desemprego permanecerá elevado nos próximos quatro anos. No Documento de Estratégia Orçamental ontem divulgado, o Governo prevê que a recuperação do mercado de trabalho só começará a sentir-se – embora de forma ténue – em 2015. A taxa de desemprego andará acima dos 18% e em 2017 ainda estará nos 16,7%

Portugal não é caso único. A receita de austeridade aplicada na Grécia, Irlanda e nas economias espanhola e italiana também estão a ter reflexos preocupantes no mercado de trabalho destes países. Estes Estados-membros que albergam 26,4% da população da União Europeia (UE) são também a pátria de 44% dos desempregados no espaço europeu.

No final de Março, estes países da periferia tinham 11,6 milhões de desempregados (embora os dados para a Grécia digam respeito ao mês de Janeiro), uma fatia muito significativa dos 26,5 milhões de desempregados em toda a UE e mais de metade dos 19,2 milhões registados nos países do euro.


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