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Função pública. A greve de 4 de Março arranca hoje às 22h00

por A Formiga, em 03.03.10

Sindicatos estão optimistas. Tribunais, escolas e hospitais deverão ser os sectores mais afectados


A greve está marcada para quinta-feira, 4 de Março, mas hoje já deverão sentir-se os primeiros efeitos da paralisação da Função Pública. Sectores como os serviços hospitalares e a recolha do lixo iniciam o protesto às 22 horas, altura em que começam os turnos da noite. Para amanhã, os sindicatos prometem adesões elevadas para ilustrar a "revolta contra o governo" pelo congelamento dos salários dos funcionários públicos.


Logo às primeiras horas do dia, os adultos não deverão ter dificuldades em deslocar-se para o trabalho - o sector dos transportes não aderiu à greve -, mas as crianças podem encontrar um cadeado na porta da escola. Os tempos de espera deverão multiplicar-se nos hospitais e é de esperar o cancelamento de intervenções menos urgente nos estabelecimentos de saúde públicos.


A Frente Comum, afecta à CGTP, foi a primeira estrutura a convocar greve para 4 de Março. Segundo Ana Avoila, coordenadora do sindicato, Educação, Saúde e Segurança Social deverão ser os sectores mais afectados pela paralisação. "Esperamos muitos, muitos serviços parados. Vai ser uma excelente greve, com bastantes trabalhadores", promete, apesar de não se comprometer com estimativas de adesão.


Jorge Nobre dos Santos, representante da Federação dos Sindicatos da Administração Pública (Fesap, ligada à UGT) parte também optimista para esta greve geral. "As expectativas são elevadas pela difusão que foi feita do pré-aviso e as respostas têm sido muito boas", afirma ao i. "Mas as greves são como o futebol: prognósticos só no fim do jogo."


Onde vai sentir a greve Saúde e Educação dominam normalmente as atenções mediáticas e abrem os telejornais, mas não são o único sector que pode afectar o seu dia-a-dia. 


Se acha que espera muito tempo nas filas das repartições de finanças, 4 de Março poderá não ser o dia indicado para passar a manhã a entregar a declaração de IRS. A 12 dias do prazo final de entrega em papel, os contribuintes entram em contagem decrescente e os sindicatos do sector esperam encerrar metade dos mais de 300 serviços de impostos.


Nos tribunais o cenário deverá ser ainda mais negro. Já condicionados pela limitação de recursos humanos, a greve promete diminuir ainda mais o número de braços necessário para fazer os tribunais funcionar. O sindicato dos Funcionários Judiciais espera uma adesão a rondar os 90%.


Há apenas dois sectores - dos abrangidos por esta greve - em que é obrigatório assegurar serviços mínimos: saúde e recolha de lixo. Quanto a este último, não se deve repetir o cenário da greve do sector de 2008, em que o lixo acumulou durante dias. 


Quanto custa organizar a greve? Ao optarem por fazer uma greve sem manifestação, os sindicatos poupam no orçamento. Organizar a paralisação de serviços da função pública fica mais barato do que alugar dezenas de autocarros para trazer milhares de trabalhadores para um desfile em Lisboa. A Fesap revela que para esta greve gastou cerca de 10 mil euros só em material de propaganda, ao qual tem de ser acrescentado entre 4 a 5 mil euros noutros gastos adicionais. Apesar de tudo, ficou muito mais barato do que os 23 mil euros gastos na manifestação de 1 de Maio de 2009.


O motivo A Função Pública pára amanhã em protesto contra o congelamento dos salários proposto pelo governo no Orçamento do Estado para 2010. Confrontado com a obrigatoriedade de reduzir o défice de 9,3% para menos de 3% até 2013, o governo comprometeu-se a reduzir esse esforço por via da despesa prometendo medidas mais austeras, como o congelamento dos aumentos da função pública - sector que emprega 675 mil pessoas, dos quais 500 mil estão na administração central (ministérios e serviços autónomos). A reacção dos sindicatos à decisão do governo foi violenta.

 

A Frente Comum avançou unilateralmente para a marcação da greve, seguida pela Fesap e Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE). "A generalidade das pessoas não pode aceitar algumas das medidas propostas pelo governo", diz Bettencourt Picanço do STE. "Com esta greve queremos dar um sinal negativo" ao Executivo.

Fonte i (aqui)