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A formiga no carreiro

A formiga no carreiro

14.Fev.08

Alunos poderão passar 11 horas diárias na escola

Pais estão de acordo com ideia do ministério


O alargamento da "escola a tempo inteiro" ao 2.º ciclo, um objectivo que o Ministério da Educação pretende implementar de forma faseada, vai traduzir-se num aumento radical no número de horas que os estudantes vão passar nos estabelecimentos de ensino ou em actividades, com o as visitas de estudo, que estes irão organizar.

 

Actualmente, um estudante do 6.º ano com um horário normal passa cerca de 39 horas semanais na escola, hora de almoço incluída. No futuro, o volume deverá subir até às 55 horas semanais. Um acréscimo de 16 horas por semana que se fica a dever à disseminação de actividades de enriquecimento curricular (AEC) pela segunda parte do dia e à promessa de que, após o dia de aulas, das 08.30 às 17.30, a escola poderá assegurar o "apoio à família" por mais duas horas, tal como sucede no 1.º ciclo.

Apesar da aparente dimensão da tarefa, a mudança até poderá ser mais simples de concretizar do que quando o plano foi aplicado ao 1.º ciclo. Desde logo porque, ao contrário da antiga primária, onde chegou a haver mais de 50% das escolas a funcionar em horário duplo (com diferentes turmas de manhã e à tarde), devido ao excesso de alunos, no 2.º ciclo a generalidade dos estabelecimentos assegura horários normais.

Por outro lado, porque enquanto em relação aos estudantes mais novos foi necessário implementar de raiz quase todas as AEC, no 2.º ciclo, a mudança passará sobretudo por redistribuir a oferta existente, aproveitando para eliminar os muitos "furos" que caracterizam os horários destes alunos. Desporto, Educação Musical, Área Projecto e Formação Cívica serão algumas das áreas que poderão passar para a segunda metade do dia, em alguns casos integradas em novas dimensões como o "desporto escolar" ou as "expressões artísticas".

Há, no entanto, um aumento efectivo da carga horária, que implicará a existência de mais meios humanos. E é este capítulo que mais preocupa os sindicatos de professores. Apesar de genericamente favoráveis à medida, temem que se repitam as situações de "contratação precária" de docentes, a recibo verde, para preencher algumas horas do dia. A esta preocupação, os sindicatos juntam o receio de que a concentração de disciplinas em áreas temáticas, defendida por Maria de Lurdes Rodrigues como forma de reduzir o número de professores a leccionar a cada turma, interfira nas remunerações dos docentes.

Já Albino Almeida, da Confederação Nacional de Associações de Pais, concorda com o conceito, que vem ao encontro das necessidades dos pais que trabalham e desejam que os filhos continuem na escola para além do horário das aulas, ao mesmo tempo que juntam às matérias curriculares outras actividades. Ainda assim, o presidente da Confap aponta os erros do modelo da escola a tempo inteiro no 1.º ciclo, que espera ver agora corrigidos. "Os grandes problemas desse modelo foram a impreparação das instalações, o que acabou por ter um efeito colateral positivo, porque obrigou as comunidades a propor a construção de infra-estruturas, e a falta de professores de música para as aulas de enriquecimento curricular, o que já não aconteceu com os de inglês ou de educação física". Agora, na escola a tempo inteiro no 2.º ciclo, Albino Almeida está convencido que "o problema das instalações está resolvido, mas coloca-se o da sobrelotação das escolas, que não permite acabar com o desdobramento dos horários".

Apesar destas dúvidas, a Confap defende a medida, "por as escolas passarem a oferecer uma formação educativa mais alargada, numa lógica de enriquecimento curricular e cultural mais forte e diferente de escola para escola, o que a torna mais rica".

Fonte Diário de Notícias, edição de 14 de Fevereiro de 2008. Ligação da notícia (aqui)

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