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Governo obrigado a mais austeridade para cortar défice

por A Formiga, em 16.09.10

A um mês da apresentação da proposta de Orçamento para 2011, cresce a convicção de que o cumprimento do défice está em risco.

O Governo vai ter de tomar novas medidas de contenção orçamental para assegurar o cumprimento do objectivo de défice público previsto para este ano e que está fixado em 7,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Os dados de execução do Orçamento do Estado até Agosto dão força à tese - que se ouve, com particular preocupação, nos corredores do PSD, da Presidência da República e do Banco de Portugal - de que será necessário um novo esforço para garantir que Portugal não cai na situação da Grécia, isto é, na contingência de ter de recorrer ao fundo de emergência financeiro da União Europeia.


A um mês da apresentação da proposta de Orçamento do Estado para 2011, os mercados dão sinais crescentes de nervosismo, como se comprova pela colocação, ontem, de Bilhetes de Tesouro (750 milhões de euros) a 3,369% quando no dia 1 de Setembro o preço de colocação foi de 2,756%. Os sinais de alerta são, assim, públicos e notórios, por isso, há a convicção - que ninguém quer assumir publicamente para não tornar ainda pior a situação de credibilidade externa do país - de que o Governo terá de deixar claro, nas próximas quatro semanas, até à apresentação da proposta de Orçamento, que as metas de défice vão ser cumpridas. E já não chegam discursos e promessas, mas serão necessárias mais medidas extraordinárias, do lado da despesa ou da receita, avaliadas entre 0,3% e 0,5% do PIB, ou seja, entre cerca de 480 e 800 milhões de euros. O objectivo do Governo, recorde-se, pressupõe já o corte do défice em 3,4 mil milhões de euros.


"Estamos numa corrida contra o tempo e, para usar uma metáfora do ciclismo, não podemos perder o contacto com o pelotão. A Grécia já está no carro-vassoura", disse ao Diário Económico uma fonte conhecedora da situação orçamental portuguesa. Outra fonte sublinha que o problema mais urgente de Portugal "não é económico, é financeiro" e é aí que têm de aparecer medidas.

Ligação para a notícia:

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http://economico.sapo.pt/noticias/governo-obrigado-a-mais-austeridade-para-cortar-defice_99248.html