Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Governo avança com números pouco sérios para o sector da saúde

por A Formiga, em 24.11.10

Greve histórica na Administração Pública

 

Numa primeira análise do impacto da Greve Geral na Administração Pública, o SINTAP está em condições de afirmar com elevado grau de certeza que estamos perante a maior adesão verificada até hoje no sector, não obstante a tentativa de desvalorização do protesto dos trabalhadores feita às primeiras horas da manhã pelo Governo.

 

Com efeito, pela voz do Secretário de Estado da Administração Pública, Gonçalo Castilho, o Executivo avançou com uma percentagem perfeitamente imprecisa e pouco séria para o sector da Saúde, ao referir andará em torno dos 40% a 45% a adesão nos hospitais.

 

Esta é uma percentagem que os sindicatos garantem estar longe da realidade, sobretudo se tivermos em conta que foi prematuro o balanço avançado pelo Governo e quando existem informações fidedignas no sentido de que, em locais como o Hospital de Viana do Castelo, estão em greve 900 trabalhadores, estando apenas assegurados os serviços mínimos.

 

Sectores como a Educação, a Saúde e a Administração Local estão a registar níveis de adesão muito elevados, com inúmeros serviços encerrados. Pudemos comprovar isso mesmo logo a partir das 22 horas de ontem, na saída dos primeiros turnos de recolha urbana, serviços onde se verificaram percentagens de adesão acima dos 90% em Locais como Lisboa e Oeiras, e 100% por cento em concelhos como Loures, Amadora, Coimbra, Viana do Castelo, entre muitos outros.

 

Estes dados assumem especial relevância se tivermos em conta que, em locais como as oficinas do Espargal, em Oeiras, houve efectiva tentativa de desmobilização de piquetes de greve por parte de responsáveis da autarquia (uma directora de serviço e um vereador), que assumiram posições intimidatórias completamente ilegais e injustificadas.

 

Ao que tudo indica, os trabalhadores portugueses estão assim a demonstrar ao Governo que não pode governar contra os trabalhadores nem continuar a seguir políticas que estão a conduzir o país num caminho de progressivo empobrecimento que afecta particularmente as camadas sociais mais desfavorecidas.

 

O SINTAP espera que esta manifestação de força dos trabalhadores resulte na abertura de canais de negociação com os sindicatos que permitam, através da contratação colectiva, que se possam alcançar soluções que signifiquem emprego e crescimento e não o contrário como actualmente acontece.