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O FMI vem aí

por A Formiga, em 20.12.10

Com a recente entrada da Irlanda para os cuidados intensivos do Fundo Monetário Internacional - FMI e pelo Fundo Europeu da Estabilidade, restam poucas dúvidas de que Portugal será o próximo. O que é que um investidor particular pode fazer para se preparar?


Tal como a Irlanda tentou adiar ao máximo e foi obrigada, contra a sua vontade, a ser "ajudada" pelo FMI e pela União Europeia, o mesmo deverá suceder-nos brevemente, mesmo contra a vontade do Governo e dos bancos nacionais.

É evidente que não é sustentável continuar a emitir dívida pública com taxas de 7%, pois quanto mais tempo se continuar nesta situação maior dificuldade se terá em reduzir o défice orçamental, para o qual os juros terão um peso cada vez maior.

O que é que uma intervenção do FMI e da União Europeia poderá obrigar Portugal a fazer que ainda não esteja a ser feito?

À partida, o Orçamento do Estado para 2011 já é um orçamento à FMI, pelo que as receitas típicas, de aumento de impostos, de redução dos ordenados da função pública e corte nos apoios sociais, já lá estão.


Quais as medidas adicionais que o FMI poderá obrigar a tomar?

Em primeiro lugar, deverá obrigar a adiar os grandes projectos de obras públicas, pois objectivamente não existe forma de as financiar.

Em segundo lugar, uma vez que não podemos desvalorizar a moeda, é provável que se tomem medidas que visem o aumento da competitividade das empresas exportadoras: redução dos descontos para a Segurança Social; criação de uma taxa de IRC reduzida ou outro tipo de apoios que permitam aumentar a competitividade das exportações nacionais.

Em terceiro lugar, o FMI irá exigir o rigoroso cumprimento do Orçamento. Caso fique abaixo do estimado, serão tomadas medidas ainda mais draconianas, provavelmente a nível do IVA e IRS. Será também muito provável que o pagamento do subsídio de férias/Natal à função pública seja feito em certificados do Tesouro não mobilizáveis antecipadamente.


Por último, deverá ser criada maior flexibilização no despedimento individual, para os novos contratos de trabalho. Apesar de ser contra-intuitivo, esta medida poderá reduzir a taxa de desemprego, pois será menos arriscado para as empresas contratarem. Esta medida poderá também contribuir para aumentar a produtividade, que é o grande calcanhar de Aquiles de Portugal, pois existe muita gente que não atinge o seu potencial por sentir que o seu emprego não está em risco.

Assim, o que é que um investidor particular poderá fazer para se proteger da vinda do FMI?

Infelizmente, não há muito a fazer, excepto resistir à tentação de investir em obrigações da dívida pública. Mesmo com a entrada do FMI, a dívida da Grécia e da Irlanda continuou a cair. Convém também resistir à tentação de investir em obrigações dos bancos nacionais, muito menos perpétuas. É preferível investir em depósitos a prazo, que estão cobertos pelo fundo de garantia de depósitos até 100 mil euros por titular.


Mas, eventualmente, existem outros investimentos que são normalmente percepcionados como mais arriscados, mas que nas actuais condições têm até menos risco, como por exemplo as acções de empresas nacionais com uma parte substancial das suas receitas a vir de mercados externos, como por exemplo a Portucel, a Jerónimo Martins, a EDP ou mesmo a EDP renováveis. É muito menos arriscado investir numa acção como a EDP, que paga 6,2% em dividendos e está a transaccionar com um múltiplo de apenas nove vezes os resultados líquidos, do que investir em dívida do Estado português.

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