Europeus Contra a Austeridade
Acções de luta concertadas por toda a UE
Os sindicatos europeus organizam hoje, um dia antes do início de uma reunião dos líderes europeus em Bruxelas, uma série de manifestações de protesto contra os planos de austeridade em vigor em quase toda a União Europeia, contra as medidas de austeridade aplicadas pelos governos para conter a crise financeira.
A Confederação Europeia de Sindicatos (CES), com sede em Bruxelas, convocou uma jornada de acção descentralizada para hoje, 15 de Dezembro, contra as medidas de austeridade e contra os bónus concedidos apenas a alguns. Muitos países já foram afectados pelos planos de austeridade e continuam a sê-lo.
Estão organizados protestos sindicais por toda a Europa em resposta a estas medidas que são corrosivas tanto para a economia como para os cidadãos.
Os membros filiado na CES organizam eventos que assumem diferentes formas, nomeadamente manifestações, paralisações de trabalho, greves gerais, etc. Todas estas acções não serão realizadas no dia 15 de Dezembro, mas sim de acordo com a actual situação e as obrigações dos países em causa.
Cidadãos da Grécia, Bruxelas, Luxemburgo, República Checa, Dinamarca e França planejaram grandes manifestações para esta quarta-feira (15/12).
Espera-se que militantes sindicalistas formem um cordão humano em redor da sede da Comissão Europeia, o Berlaymont, para simbolizar o aperto do cinto da austeridade.
No Luxemburgo, sindicalistas deste país, belgas, alemães e franceses organizam um "piquete de protesto" em frente do parlamento.
Na República Checa haverá uma acção de protesto de polícias e bombeiros e em França e Dinamarca "acções de amplitude limitada", segundo a CES.
Esta organização europeia explica na sua página da Internet que a UGT e a CGTP portuguesas já organizaram em 24 de Novembro uma greve geral contra as medidas de austeridade.
O evento mais forte desta "jornada" deverá ser a greve geral realizada hoje na Grécia, a sétima este ano e que se prevê que irá paralisar os transportes e perturbar o sector público do país.
Para hoje, também estão previstas manifestações realizadas pela FSESP (Federação Sindical Europeia de Serviços Públicos) diante da sede das duas principais instituições da União Europeia – o Conselho e a Comissão. Os manifestantes apresentarão um cartão vermelho para estigmatizar a posição do Conselho a favor da austeridade como solução à crise.
A CES organiza também hoje uma acção simbólica de protesto em Bruxelas, onde os chefes de Estado e de Governo dos 27 estarão reunidos quinta e sexta-feira numa cimeira que marca o fim da presidência belga da União Europeia e que irá dar luz verde à criação de um mecanismo permanente de resgate dos países da Zona Euro.
Os protestos foram convocados pela Confederação Europeia de Sindicatos. Segundo o Secretário-Geral da confederação, John Monks, a jornada de greve serve para mostrar a insatisfação dos trabalhadores, "que têm a impressão de que são eles que pagam a conta da última crise".
"Os planos de rigor atingem salários, pensões e benefícios sociais. Estão a desmantelar a nossa Europa social", reclamou o sindicalista. Acrescenta ainda que, "enquanto o povo sofre, os bancos embolsam os lucros e transferem suas perdas".