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A formiga no carreiro

A formiga no carreiro

05.Mar.08

Estradas de Portugal reduz até 20% dos colaboradores

O programa de pré-reformas e rescisões negociadas posto em prática pela administração da Estradas de Portugal (EP) pode abranger até 20% do número total de colaboradores da empresa.

A revelação foi feita ontem pelo presidente da EP, Almerindo Marques na comissão parlamentar de Obras Públicas. Em causa estão 345 efectivos que terão 55 ou mais anos até ao final deste ano e que podem aderir ao plano lançado pela nova gestão. Este número representa cerca de 20% dos colaboradores da Estradas de Portugal. Deste universo, 36 terão mais de 65 anos, cerca de 30 têm mais de 60 anos e mais de 273 terão 55 anos ou mais. No entanto, só irão sair aqueles que as chefias considerarem que não têm de ser substituídos, esclareceu o presidente da EP, pelo que o número total de saídas deverá ser inferior. Almerindo Marques não quis quantificar, mas negou os 500 avançados por sindicatos.

Segundo o presidente da EP, já 280 funcionários com mais de 55 anos aderiram ao processo de rescisões amigáveis. O responsável não revelou o custo desta reestruturação, adiantando apenas que será amortizado em menos de dois anos. Este é um processo voluntário de saídas, "mas quem não quiser sair pela porta grande, com recurso aos incentivos deste plano, sairá pela porta pequena", frisou. A redução de trabalhadores será acompanhada pela eliminação de estruturas redundantes, sobretudo ao nível das 18 divisões distritais.

A redução de custos é uma das principais preocupações da nova gestão que limitou o consumo de combustíveis e quer reduzir em 35% a factura das telecomunicações. A outra meta é o aumento das receitas próprias. Mas neste capítulo não foi avançada muito informação. Para além da venda da sede, pelo preço base de 40 milhões de euros, serão potenciados os proveitos com as novas concessões de estações de serviço e licenciamentos de servidões industriais e urbanas. As portagens na rede da EP, que são uma decisão do poder político que compete à empresa executar, serão uma das principais receitas próprias da EP mas só depois de 2008, via as novas concessões, renegociação das Scut e regresso ao Estado de actuais concessões.

Fundos comunitários e o recurso à banca, apenas para financiar investimento, são outras fontes de financiamento do orçamento da EP cujo valor não foi revelado. Os 600 milhões de euros da contribuição rodoviária são o único instrumento conhecido. Almerindo Marques referiu apenas que este ano está previsto um investimento de cerca de 500 milhões de euros, mas haverá outros encargos a assumir como o pagamento às concessionárias Scut de 705 milhões de euros, apesar da prevista introdução de portagens em três concessões sem custos para o utilizador este ano. A empresa comprometeu-se com o Estado a lucrar 50 milhões de euros em 2008.

Fonte Diário de Notícias, edição de 5 de Março de 2008. Ligação para a notícia (aqui)