O organismo liderado por Christine Lagarde diz que IVA deve ser aumentado ainda este ano.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) aconselhou ao governo de Mariano Rajoy (na foto) a subir o IVA e os impostos especiais ainda este ano, em vez de esperar por 2013. Além disso, deve também descer os salários dos funcionários públicos, diz o FMI na sua análise anual à economia espanhola.
“Dada a dimensão da consolidação necessária, nenhuma opção deve ser descartada. As medidas do lado das receitas deveriam desempenhar um papel mais importante. Muito em particular, há uma margem considerável para reduzir as despesas fiscais e aumentar as receitas provenientes dos impostos indirectos, por meio de uma ampliação da base e de um aumento e unificação das taxas, especialmente sobre o IVA e impostos especiais – medidas que deveriam ser tomadas já”, diz o FMI no seu relatório hoje divulgado.
O Fundo refere igualmente que é desejável que haja uma redução das contribuições para a Segurança Social, mas que essa medida deve estar condicionada à redução do défice (quando este abaixo dos 3% do PIB, por exemplo).
Por outro lado, o organismo liderado por Christine Lagardeapela ao corte de salários na função pública. “As reduções das despesas estão previstas nas áreas adequadas. Mas demorará tempo a identifica-las, serão difíceis de implementar e os seus resultados são incertos. Para haver garantias de que as poupanças previstas se materializarão, poderiam aprovar-se agora futuros cortes dos salários da função pública e aumentos do IVA/impostos especiais, que se cancelariam apenas quando os objectivos tivessem sido alcançados”, salienta o documento.
O Fundo destaca ainda que o mercado de trabalho em Espanha sobressai pela sua elevada taxa de desemprego, pela sua segmentação a sua rigidez salarial e as suas rígidas condições de trabalho. “A recente reforma laboral deveria permitir que as empresas se adaptem mais agilmente às condições de mercado, através, por exemplo, do ajuste de salários e horas de trabalho em vez de emprego”, pode ler-se no documento, numa alusão também ao sector privado.
O FMI diz ainda que, para suavizar as projecções do endividamento público, deveria ser dado maior ênfase às privatizações.
Para o Fundo, “apesar do considerável esforço, provavelmente o objectivo muito ambicioso de um défice nos 5,3% do PIB em 2012 poderá não ser atingido”.
