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A formiga no carreiro

A formiga no carreiro

21.Mar.13

FESAP teme que trabalhadores possam ser ameaçados

Nobre dos Santos está prepcupado com eventuais ameaças nos locais de trabalho e acusa Governo de criar instabilidade ao falar em rescisões

 

O coordenador da FESAP, Nobre dos Santos, acusou o Governo de estar a criar instabilidade e preocupação nos trabalhadores da administração pública quando fala em rescisões amigáveis para os trabalhadores com salários mais baixos. O dirigente sindical mostrou-se receoso de que alguns trabalhadores venham a ser ameaçados em alguns locais de trabalho.

Isto no dia em que o Governo admitiu pagar uma indemnização de até 1,5 meses de salário por cada ano de trabalho, aos funcionários públicos que aderirem ao programa de rescisões amigáveis. Em cima da mesa está ainda a oferta de outras condições, como acesso a formação profissional e apoio à criação do próprio emprego, por exemplo, através de acesso a crédito. 

«Os sindicatos estão a ser inundados com perguntas dos trabalhadores das escolas, dos hospitais, daqui e dali e de acolá, no sentido de perguntarem o que vai acontecer», disse Nobre dos Santos, da Frente Sindical da Administração Pública (FESAP), que se reuniu esta quarta-feira com secretário de Estado com essa pasta, Hélder Rosalino.

«Temos a certeza que em alguns sítios vão dizer 'ou aceitas a rescisão amigável ou vais para o quadro de mobilidade especial' e estas são situações que não aceitamos de maneira nenhuma», sublinhou.

Questionado sobre o programa de rescisões e a proposta de oferta de até um salário e meio «efetivo» ou «com suplementos permanentes» avançada hoje por Hélder Rosalino, Nobre dos Santos disse que «um é melhor que zero e que um e meio é melhor que um», pelo que esta é já «uma posição de avanço».

«Mas é evidente que os valores que temos em cima da mesa não são suficientemente aliciantes, mesmo que se fale em um e meio. Numa altura em que a economia está como está, é evidente que a maior parte não vai trocar o certo pelo incerto e passar para o setor privado», frisou, citado pela Lusa.

Segundo Nobre dos Santos, para aqueles que já tenham um emprego prometido no setor privado ou querem sair do país, esta medida poderá ser um incentivo, mas será sempre «uma minoria de trabalhadores da Administração Pública, seja ela central, regional ou local».

Já quanto à reunião de hoje à tarde, o sindicalista afirmou não ter grandes expectativas.
«Não auguro muito futuro para este tipo de conversa. Gosto de conversar com quem tem ideias. Acho que infelizmente o Governo não tem ideias, tem apenas uma ideia séria que é a de cortar quatro mil milhões de euros na despesa», disse.
A proposta do Governo de rescisões vai começar a ser aplicada já no segundo semestre deste ano, segundo Hélder Rosalino, e abrange os assistentes técnicos e operacionais.
De acordo com o governante, estes são cerca de 213 mil e ganham entre 600 euros e «mil e poucos» euros.