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A formiga no carreiro

A formiga no carreiro

10.Dez.07

Sócrates admite mais desemprego em ano de eleições

Governo revê em alta desemprego para 2009. Executivo envia esta semana Novos números para Bruxelas: taxa passa de 6,6% para 7,2%.

O Governo reviu em alta as projecções para a taxa de desemprego até 2010, apesar de manter o optimismo quanto ao crescimento da economia portuguesa.

Na actualização anual do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) para o período entre 2007 e 2011 – que será discutido esta semana no Parlamento e enviado para Bruxelas – o Executivo prevê uma taxa de desemprego de 7,2% para 2009, mais 0,6 pontos percentuais que o projectado há um ano. Para 2010, a revisão em alta tem a mesma magnitude, com o desemprego a fixar-se nos 6,9%.

As projecções do Executivo confirmam que a criação de emprego continua a não ser suficiente para compensar o aumento da população activa e a destruição de postos de trabalho gerada pela reestruturação da indústria tradicional portuguesa.

“A manutenção de uma elevada proporção de desemprego de longa duração, num contexto de reestruturação do perfil produtivo, pode traduzir um desajustamento entre a oferta e a procura de trabalho”, refere o relatório do PEC, acrescentando a baixa qualificação dos recursos humanos como mais um dos “factores que dificultam uma evolução mais favorável no desemprego”.

Os economistas concordam com este diagnóstico do Governo. “É díficil que a taxa de desemprego tenha uma evolução positiva. Não é possível a economia reestruturar-se e gerar diminuição do desemprego ao mesmo tempo”, aponta o economista António Nogueira Leite. Luís Mira Amaral, ex-ministro da Economia, acrescenta: “A criação de empregos não é para quem os perdeu, mas para os jovens. No entanto, andámos a formar jovens sem interesse para o mercado de trabalho.”

A nova frente de batalha
Com o défice das contas públicas a deixar de ser o centro do debate económico em Portugal, é no crescimento e no emprego – na economia mais orientada para as pessoas – que a batalha política se irá focar até às eleições legislativas de 2009.

Ainda na semana passada, o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, voltou a dar um sinal da preocupação com que o Executivo olha para a situação do mercado de trabalho. “O desemprego continua a ser a maior preocupação que devemos ter e que deve merecer a nossa mais cuidada atenção”, afirmou em Bruxelas.

Contudo, mesmo com a economia a evidenciar alguma recuperação – o PEC assume a previsão de 2,2% de crescimento do PIB em 2008 e mantém o optimismo para 2009, com uma expansão de 2,8% – e as contas públicas a caminho do equilíbrio (défice zero em 2010), o desemprego continuará a estar entre os mais altos da zona euro.

“Este Governo não será julgado apenas pelo que fez nas contas públicas, por isso é natural que, já com alguma proximidade eleitoral, se escolham alternativas de governação, também focadas pela oposição”, comentava há dois meses ao Diário Económico o politólogo Manuel Meirinho, em reacção à entrevista dada por Teixeira dos Santos em Setembro, na RTP, na qual indicava o desemprego como a principal prioridade do Governo.


A economia em 2008 como vão evoluir os principais indicadores

Encontrar emprego vai continuar a ser uma tarefa difícil
Como a economia vai crescer a um ritmo lento, a criação de empregos vai continuar a não ser suficiente para compensar o ritmo de destruição de postos de trabalho. As alterações estruturais implicam que os sectores tradicionais são obrigados a modernizar-se e a libertar mão-de-obra, ao mesmo tempo que os sectores mais inovadores absorvem poucos trabalhadores.

Os salários não deverão acompanhar a subida dos preços
A maioria dos economistas ouvidos pelo Diário Económico tem pouca esperança que os aumentos salariais acompanhem o ritmo da inflação. Mira Amaral acrescenta que mesmo tendo Portugal salários abaixo da média europeia, a produtividade alcançada não justifica sequer o nível de salários actual. Daí que para a maioria dos portugueses seja mais provável perder poder de compra do que ganhar.

Os combustíveis e a alimentação vão ficar mais caros
Há duas categorias de bens nas quais os preços vão subir: os combustíveis e a alimentação. A escalada do preço do petróleo não deve dar tréguas e quando o dólar recuperar caminho, a Europa vai sentir o verdadeiro choque petrolífero. João Fernandes, economista-chefe do Finibanco, explica que devido à sobrevalorização do euro face ao dólar, os europeus estão a importar petróleo como se este estivesse a 70 dólares, em vez dos reais 90.

Os juros não deverão descer e o acesso ao crédito não vai ser mais fácil
Neste momento as taxas de juros de mercado estão bem mais elevadas do que a taxa directora do Banco Central Europeu (cerca de 0,9 pontos percentuais acima dos indicativos 4%). Daí que o BCE não tenha necessidade de subir a taxa de referência. Mas se a inflação se mantiver acima dos 2%, Trichet vai retomar o movimento de subida dos juros e as famílias vão voltar a sentir o orçamento esmagado pela subida das prestações. Este efeito é tanto mais grave quanto o nível de endividamento for excessivo, o que acontece com a maioria das famílias portuguesas.

O pessimismo vai dominar as expectativas dos agentes económicos
Com mais um ano de condições económicas difíceis, é pouco provável que os agentes económicos consigam afastar o pessimismo crónico que os afecta. As consequências são negativas: os investimentos tendem a ser adiados, porque não se perspectiva um retorno fácil, o que atrasa a retoma. Do mesmo modo, o consumo dos particulares tende a retrair-se, dificultando o crescimento económico.

Noticia completa (aqui)

Fonte Diário Economico

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