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As razões para uma 4ª greve geral em dois anos

por A Formiga, em 28.06.13

O Governo enfrenta hoje a quarta greve  geral desde que tomou posse, um protesto que será também marcado por várias  ações de rua contra o agravamento das políticas de austeridade.  

O agravamento da austeridade determinou a convocação da quarta greve  geral realizada em Portugal nos últimos dois anos de Governo, unindo agora  a CGTP e a UGT, à semelhança do protesto de 2011. 

Assim, e apesar da "unidade na ação", não é esperado que os líderes  das duas centrais sindicais, Arménio Carlos e Carlos Silva, participem em  ações conjuntas, embora ambos antecipem uma "forte adesão" num dia em que  muitos serviços serão afetados. 

Para além das deslocações previstas pelos dois dirigentes junto de piquetes  de greve em diversas empresas no distrito de Lisboa, a UGT promove, pelas  15:30, uma concentração de dirigentes e ativistas sindicais junto ao Ministério  das Finanças, em Lisboa. Já a CGTP, para além de várias concentrações nas  principais capitais de distrito, promove um desfile que parte do Rossio,  pelas 14:30, até São Bento, em Lisboa. 


A Plataforma 15 de Outubro também se vai juntar aos protestos em dia  de greve geral, tendo convocado uma manifestação entre o Rossio e São Bento  para "derrubar o Governo e expulsar a 'troika' de Portugal". 

"Iremos sair à rua porque estamos fartos de ser roubados. O povo não  aguenta mais", refere uma nota deste movimento, sublinhando que "é hora  de mudar". 

Também no setor dos transportes haverá perturbações. A CP, Metro de  Lisboa, Transtejo e Soflusa não têm serviços mínimos definidos  e avisaram os utentes de que será difícil chegar ao trabalho através destas  redes de transportes. No Porto, a Sociedade de Transportes Colectivos do  Porto (STCP) e a Metro do Porto anunciaram que apenas os serviços mínimos  serão assegurados. 

O tráfego aéreo não é exceção e a ANA - Aeroportos de Portugal emitiu um comunicado no qual "informa todos os passageiros e demais utentes  das suas infraestruturas que o tráfego aéreo poderá ser afetado em virtude  da greve geral convocada para dia 27 de junho" e recomenda a confirmação  dos voos junto das companhias aéreas. 

Nas escolas, o anúncio da greve geral e adesão dos sindicados de professores  teve um efeito quase imediato. O Ministério da Educação decidiu antecipar  para quarta-feira as provas finais de matemática dos 6. e 9.anos que estavam  agendadas para quinta-feira. 


À exceção das escolas particulares e cooperativas, na grande maioria  dos estabelecimentos de ensino já não há aulas, estando apenas a decorrer  exames e reuniões de professores para atribuição das notas dos alunos. 

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, prevê "uma grande adesão"  à greve geral de quinta-feira, o que, acredita, será "uma grande derrota  para o Governo", que pretende ver derrubado para conseguir um novo rumo  político. 

O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, considera por seu turno que  a greve geral é um "grito de insubmissão" perante as políticas de austeridade  impostas, numa altura de "tolerância zero" para com o Governo.  

A greve geral de 27 de junho, a 10 marcada pela CGTP, realiza-se cerca  de sete meses depois de uma paralisação idêntica, também motivada pelo agravamento  da austeridade. A UGT decidiu, posteriormente, que também faria greve geral  na mesma data pela mudança de políticas sociais e económicas, mas não exige  a mudança de Governo. 

A greve geral que a UGT e a CGTP fizeram a 24 de novembro de 2011 foi  a segunda conjunta das duas centrais sindicais e a sétima greve geral realizada  em Portugal depois da revolução de abril de 1974. 

A primeira greve geral nacional realizou-se em Portugal em janeiro de  1912 em defesa de melhores salários. 

Lusa

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