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A formiga no carreiro

A formiga no carreiro

28.Out.13

Cortes na função pública afetam quem menos ganha

Os trabalhadores da função pública que ganham menos vão sentir um impacto maior no salário com os cortes previstos no Orçamento do Estado para 2014. Os funcionários que, em 2010, ganhavam entre 1600 e 2500 euros vão sofrer um agravamento nos cortes entre 100 e 243%. Quem ganha 2000 euros brutos deverá viver em 2014 com menos 170 euros por mês do que este ano.

Os funcionários públicos e das empresas do setor empresarial do Estado com ordenados ilíquidos entre os 1600 e os 2500 euros são quem mais vai sentir os efeitos da nova tabela de reduções salariais. O impacto pode chegar a ser 11 vezes maior do que nos salários mais altos.

Quem ganha 4200 euros de vencimento já tinha um corte de 10% no ordenado. Para o ano perde apenas mais 2%. Traduzindo em dinheiro: menos 84 euros, quase tanto quanto vai cair a menos todos os meses na conta bancária de um funcionário que ganhe apenas 1500 euros de salário mensal bruto.

Os cortes entre os 3% e os 12% começam nos salários de 600 euros. O Governo pretende reduzir em 643 milhões de euros a despesa do Estado com os vencimentos dos seus servidores.

Olhemos a evolução do salário de quem em 2010 auferia 1600 euros brutos: entre 2011 e 2013 mereceram corte de3,5% e passou a ser de 1544 euros. A partir de janeiro, antes de impostos, cai para 1451 euros e 43 cêntimos.

A nova tabela de cortes afeta a quase totalidade dos funcionários públicos. De fora apenas alguns assistentes técnicos operacionais. Acima dos 600 euros brutos já há redução de 3% no salário, cerca de 20 euros por mês.

Mais de 180 mil pessoas passam a ser enquadradas no escalão mais elevado de cortes - o de 12%, que se aplica a salários brutos superiores a 2000 euros. Este ano, apenas 10 mil funcionário públicos são afetados pela tabela máxima em vigor de 10% de corte.

As más notícias não se ficam por aqui e a estes cortes acresce o aumento das contribuições para a ADSE, que passam de 2,25% para 2,5%. Para quem ganha salários mais altos, há ainda a sobretaxa de 3,5% que continua a ser aplicada no IRS.