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A formiga no carreiro

A formiga no carreiro

14.Jan.14

Novos cortes salariais motivam queixas entre os militares

Associações alertam para descontentamento face à acumulação de medidas que fazem salário de 1960 euros bruto “encolher” 275 euros líquidos

 

Os recibos do vencimento de janeiro estão a causar descontentamento entre os militares devido ao impacto dos novos cortes salariais. Num ordenado de 1960 euros (em linha com o que recebe um sargento ajudante ou um capitão), o valor deste corte sobe de 68,85 euros para 239 euros. As associações  do sector alertam que muitas famílias vão deixar de pagar as contas.

Os vencimentos processados pelos ministérios da Defesa, Segurança Social, Finanças e Negócios Estrangeiros só chegarão às contas dos seus titulares na próxima segunda-feira, mas em muitos casos os recibos já foram disponibilizados. E quem já olhou para os descontos e valor líquido final, não gostou do que viu.

 

O Dinheiro Vivo teve acesso a uma folha de ordenado que mostra que, entre janeiro de 2013 e o mesmo mês deste ano, o mesmo ordenado ilíquido “encolheu” 275 euros. Ou seja, em vez dos 1493 euros que até aqui entravam na conta, passam a ser creditados apenas contar com 1218 euros. Em ambos está incluído o duodécimo.

O motivo principal para esta redução decorre do corte salarial que, entre um recibo e o outro sofre um aumento de 247%, ascendendo agora a 239 euros.  Esta subida deve-se ao facto de este patamar de salários ter passado a estar sujeito a uma redução de 11,76%, quando até aqui estava no escalão dos 3,5%. Mas não só. Entre 2013 e 2014, os militares e a generalidade dos funcionários públicos contam também com uma subida da retenção na fonte do IRS e um agravamento da ADSE e ADM (o subsistema dos militares). Em valores,  aquele mesmo ordenado, passa  a descontar por mês 355 euros de IRS (contra 294 em 2013), apesar deste imposto incidir sobre o valor que resulta depois de aplicado o corte salarial, e a ADM sobe de 23,35 para 47 euros.

 

Às associações dos Oficiais e dos Sargentos têm chegado nos últimos dias várias queixas de militares. “As pessoas estão zangadas e indignadas porque se trata de medidas que se somam umas às outras”, afirmou ao Dinheiro Vivo Pereira Cracel, da Associação dos Oficiais das Forças Armadas, acentuando que face a este panorama é natural que se observe “um descontentamento em crescendo”.  A AOFA está a “desenvolver iniciativas” para dar conta do descontentamento. A isto, Lima Coelho, da Associação Nacional de Sargentos, junta um aviso, alertando para  a divisão que os novos cortes estão a criar, pelo facto de incidirem com maior expressão entre os que ganham menos. Até 2013, os cortes variavam entre 3,5% e 10% para salários acima de 1500 euros. Agora, estão sujeitos a cortes todos os que ganham mais de 675 euros, tendo ainda sido criada uma taxa de 12% de aplicação direta a todos os que recebem mais de 2 mil euros.