Depois de quatro anos de forte aperto das contratações na Administração Pública que se traduziu numa redução nunca vista do número de funcionários, o emprego público volta agora a crescer. Pela primeira vez, desde a chegada da troika ao País, registou-se um aumento do número de funcionários públicos em dois trimestres consecutivos.
Segundo dados da Direcção-Geral da Administração e Emprego Público (DGAEP), o universo de trabalhadores das administrações pública alargou-se em 9.611 nos últimos dois trimestres, o que representa um acréscimo de 1,5% face ao universo registado no final do terceiro trimestre do ano passado.
Este aumento vem romper com a tendência de redução sustentada do número de funcionários públicos que muita polémica gerou, pelos efeitos provocados ao nível dos serviços públicos, particularmente na Saúde e Educação. Segundo a Síntese Estatística de Emprego Público (SIEP)relativa ao primeiro trimestre do ano, há agora 656,8 mil funcionários públicos, menos 10% do que no último trimestre de 2011. São menos 70,5 mil empregos, uma redução que ficou sobretudo a dever-se à saída de funcionários para aposentação, que não foram substituídos.
A quebra foi mais acentuada no subsector dos Fundos da Segurança Social, mas sem grande expressão em termos de número. Decisiva mesmo foi a redução operada na Administração Regional e Local, onde a redução, face ao final de 2011, foi de 15 mil funcionários (9,4%) e, sobretudo, no Estado central, onde se registou uma descida líquida de 52 mil (9,5%).
É precisamente na Administração Central que agora se regista uma recuperação do nível de emprego, com um crescimento de 0,4%. Em todas as restantes administrações (com excepção dos Açores), repete-se a tendência de ligeira quebra do número de funcionários.