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A formiga no carreiro

A formiga no carreiro

12.Mar.20

FESAP ajusta protestos por força da epidemia de Covid-19

Plenário Nacional em Coimbra e plenários regionais cancelados

A atual situação de epidemia de Covid-19 em Portugal, que permanece hoje, tal como no resto da Europa, em fase de transmissão e identificação de novos casos, levou a FESAP a reorganizar e a ajustar a maioria das formas de protesto que tinha previsto para os próximos meses, em linha com o que havia sido ressalvado aquando da apresentação do calendário de ações de protesto.


Assim, será retirado o pré-aviso de Greve que havia sido emitido tendo em vista possibilitar aos trabalhadores da Administração Pública participarem nos plenários que estavam previstos para o dia 20 de março, permitindo desta forma que os serviços públicos possam dar a melhor resposta possível no atual contexto, como já se está a verificar com a implementação de planos de contingência em setores fundamentais como os da saúde, da educação, das autarquias, da justiça, da segurança social, entre outros.


Estão igualmente suspensas as ações de sensibilização que se realizariam no dia 19 de março em protesto pela ausência de negociação e contra os aumentos salariais ridículos que foram impostos para 2020, com a presença na rua de dirigentes, delegados e ativistas sindicais por todo o território continental e regiões autónomas, no âmbito da campanha “Eu Exijo”, até que a FESAP considere estarem reunidas as
condições de segurança sanitária essenciais para que tais ações possam realizar-se sem constrangimentos.

Quanto às comemorações do 1º de Maio – Dia do Trabalhador, que a FESAP previa ser o momento fulcral desta vaga de protestos, é bem possível que não venham a realizar-se.

No entanto, manter-se-á a distribuição de autocolantes e a afixação de propaganda relativa à campanha “Eu Exijo” nas ruas e nos locais de trabalho, observando todas as condições e recomendações de segurança para que essas ações possam realizar-se com o mínimo risco.


A FESAP frisa que estas medidas não representam, evidentemente, qualquer recuo ou alteração no que respeita aos objetivos da luta dos trabalhadores da Administração Pública pela negociação e por aumentos salariais dignos e justos, mas sim um reconhecimento de que, neste momento, a necessidade de contenção da propagação do Covid-19 exige a máxima responsabilidade de todos, não sendo por isso
prudente a promoção de quaisquer ações que resultassem numa elevada concentração de pessoas no mesmo local.


Por outro lado, a FESAP não pode deixar de aproveitar a ocasião para exigir que a informação sobre os procedimentos de segurança e sobre os planos de contingência existentes para os serviços públicos seja objeto de ampla divulgação por parte das autoridades, manifestando particular preocupação face à deficiente informação e meios de proteção para os trabalhadores que prestam serviços de atendimento ao público, sobretudo os que prestam serviço no setor da saúde, que são também de quem a população espera e exige a melhor resposta possível, e que se debatem com sérios problemas de falta de equipamento de proteção individual e de material de desinfeção, sendo empurrados para a linha da frente deste combate sem que estejam cumpridas as condições de segurança mínimas.


A FESAP espera ainda que, por parte do Governo, exista uma maior vontade de envolvimento dos parceiros sociais, em particular dos sindicatos, numa luta combate que é de todos, e que estejam a ser seguidos todos os procedimentos aconselhados em casos com a gravidade do atual de modo a que, em conjunto, possamos conter a propagação do Coronavírus.


Lisboa, 12 de março de 2020