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A formiga no carreiro

A formiga no carreiro

04.Mai.18

Não docentes e técnicos especializados exigem fim da precariedade no Porto

Cerca de três dezenas de trabalhadores não docentes concentraram-se hoje frente à Direção Regional de Educação do Norte, no Porto, com o objetivo de "lutar contra o fim da precariedade e a integração de todos dos funcionários precários".

"Esta portaria é uma porcaria. Revogação da portaria de rácios: Já!" e "Técnicos especializados precários em luta", são duas das frases que constam das faixas que os trabalhadores não docentes ostentam. "O ministro da Educação chumba na contratação" é uma das frases entoadas.

Esta concentração acontece num dia em que decorre uma greve nacional convocada pela Federação de Sindicatos da Administração Pública (FESAP) e Federação Nacional de Educação (FNE) da UGT, e o Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (da Federação dos Sindicatos da Função Pública - CGTP-IN).

O protesto visa "continuar a luta dos trabalhadores não docentes pela exigência do fim da precariedade e integração de todos os trabalhadores precários, a alteração da nova portaria de rácios, a dotação dos mapas de pessoal com número de trabalhadores efetivamente necessário que garanta a criação da carreira especial e o fim da municipalização, para garantir o bom funcionamento das escolas e a dignidade profissional dos trabalhadores", conforme descrevem os sindicatos.

Em declarações à agência Lusa, Gina Curralo, assistente social no concelho de Baião, mas a residir em Vila Nova de Gaia, contou que está há dez anos à espera da integração nos quadros numa escola, sendo que nesse período passou por dois estabelecimentos de ensino diferentes.

"Se estive cinco anos em cada com tarefas atribuídas, trabalho desenvolvido, porque me consideram uma necessidade temporária e não permanente?", questionou.

A assistente social quer que o Governo "reconheça a necessidade de vincular o pessoal não docente que trabalha nas escolas, bem como os técnicos especializados", criticando o facto de "por diversas vezes" ter tentado respostas junto das Comissões de Avaliação Bipartida [ao abrigo do Programa de Regularização Extraordinária dos Vínculos Precários na Administração Pública], sendo aconselhada a "aguardar".

Também Cláudia Braga, intérprete de Língua Gestual que trabalha no agrupamento de escolas de Coimbra - cidade para a qual viaja de comboio todos os dias a partir do Porto - tem contrato até 31 de agosto, altura em que terá de voltar a concorrer a uma vaga.

"Nunca sei da minha vida. Nunca sei o dia de amanhã. Mas sou técnica especializada e necessária nas escolas por onde passo. Como eu há pessoas com 14 e 15 anos de serviço, às vezes no mesmo local, e se não são necessidades permanentes, o que são?", pergunta a interprete de Língua Gestual.

António Fachada é animador socioeducativo há 11 anos na EB 2-3 de Perafita, concelho de Matosinhos, mas, contou à Lusa, como não sabe todos os finais de ano letivo se fica ou não no mesmo estabelecimento de ensino, tem ido a entrevistas de emprego pelo país todo.

"Isso não dignifica muito o nosso trabalho. Quem passa 11 ano no mesmo sítio, já fez dez contratos no mesmo sítio, é uma necessidade permanente ou temporária? Em outubro falamos com o secretário de Estado da Educação, João Costa, e com o ministro Tiago Brandão Rodrigues. Publicamente, numa ação de campanha das autárquicas na Maia, afirmaram-nos que a nossa necessidade é permanente. Passaram-se seis meses e nada. Será que afinal mandam eles a ou o [Mário] Centeno [ministro das Finanças]?", apontou o animador socioeducativo.

Neste protesto também participaram dirigentes sindicais, entre os quais Orlando Gonçalves, coordenador do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, que reiterou as reivindicações dos trabalhadores não docentes e técnicos especializados, exigindo "respostas" ao Governo de António Costa.

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