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A formiga no carreiro

A formiga no carreiro

24.Abr.14

Passos antevê tempos radicalmente diferentes e quer fazer a função pública respirar

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, considerou hoje que "os próximos anos serão radicalmente diferentes" e, sem anunciar medidas concretas, falou em "fazer a função pública respirar", em "remover entorses" e "corrigir situações".

 

Durante uma conferência sobre o "pós-'troika'" promovida pelo Diário Económico, num hotel de Lisboa, o chefe do executivo PSD/CDS-PP afirmou discordar da ideia defendida pelo Presidente da República, Cavaco Silva, de que houve "sacrifícios talvez excessivos" impostos a funcionários públicos e pensionistas.

 

Segundo Passos Coelho, as medidas adoptadas foram as "adequadas face às necessidades". Contudo, interrogando-se se "é justo ter de ir aos rendimentos das pessoas", acrescentou: "Não, isso não é justo, é profundamente injusto". Em seguida, situou a origem da injustiça no passado: "O que aconteceu em Portugal em 2011 é profundamente injusto".

 

Nesta conferência, o primeiro-ministro reclamou que, nos últimos três anos, o Governo conseguiu defender o Estado social e evitar uma quebra da coesão interna, graças ao "esforço colossal que os portugueses fizeram" e à ajuda das instituições particulares de solidariedade social.

 

"Os próximos anos serão radicalmente diferentes", sustentou, ressalvando que é preciso prosseguir a consolidação orçamental.

 

Questionado sobre o que pretendeu dizer quando falou em "desonerar" salários e pensões, respondeu que os actuais cortes são "um ónus que pesa sobre eles", reiterando que "é preciso desonerá-los".

 

Sem adiantar como nem quando o Governo pretende alterar os cortes actualmente em vigor, Passos Coelho referiu que eles foram evoluindo nos últimos três anos e "acabaram num desenho vincadamente progressivo".

 

Em seguida, advogou que é necessário "desfazer alguns dos entorses que esta forte progressividade implicou", insistindo na ideia de "remover esta progressividade".

 

"Não é restituir às pessoas os salários que elas tinham, não é isso que eu estou a dizer. Temos de remover estes entorses que esta forte progressividade criou, e fazer a função pública respirar, desbloquear as progressões, desbloquear os prémios de mérito", disse.

 

De acordo com o primeiro-ministro, há "espaço de manobra" para "corrigir estas situações", ou seja, para "fazer o que o senhor Presidente da República disse".

 

Passos Coelho acentuou que o executivo PSD/CDS-PP não tenciona "aprofundar" os actuais cortes sobre salários e pensões "é exactamente o contrário".