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A formiga no carreiro

A formiga no carreiro

17.Nov.20

Reformaram-se quase dez mil funcionários públicos até setembro

No terceiro trimestre do ano saíram quase 600 médicos do SNS devido ao fim do internato. Número de trabalhadores do Estado subiu 1,6% em relação ao ano passado.

Até ao final do mês de setembro, reformaram-se 9957 trabalhadores do Estado, o que representa um aumento de 40% em relação ao mesmo período do ano passado. Comparando com o primeiro semestre do ano, saíram para a aposentação mais 3454 funcionários públicos, representando uma subida de 53%, segundo os cálculos do Dinheiro Vivo com base na síntese estatística do emprego público da Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP).

O número de reformados do Estado está quase ao nível do conjunto do ano passado quando passaram para a aposentação 10.075 pessoas. A este ritmo, este ano pode acabar com a maior cifra de reformados da função pública dos últimos seis anos, em 2014, quando mais de 15.600 trabalhadores engrossaram o contingente de aposentados do setor público.

O setor da educação mantém-se como aquele que mais contribui para este aumento. Até ao final de setembro, mais de dois mil funcionários dos serviços ligados à educação saíram para a reforma. Trata-se de um quinto do universo de reformados, maioritariamente professores do ensino básico e secundário que, como já foi noticiado, são a área com uma classe mais envelhecida.

Na lista, segue-se o setor empresarial do Estado, de onde saíram mais de 1200 pessoas.

SNS e educação

O número de funcionários públicos fixou-se nos 700.447 no final do terceiro trimestre deste ano. Comparando com os três meses anteriores, houve uma diminuição superior a 4600 trabalhadores, mas face ao terceiro trimestre do ano passado registou-se um aumento de 1,6%, correspondendo a mais 11 216 pessoas.

A contribuir para esta subida estiveram as contratações para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas não por causa dos médicos. "Entre as carreiras que mais contribuíram para esse aumento salientam-se, nas Entidades Públicas Empresariais do SNS, as carreiras de assistente operacional (1980), enfermeiro (1907) e técnico de diagnóstico e terapêutica (407)", refere a síntese do emprego público.

Também na educação houve um reforço de profissionais nos "estabelecimentos de educação e ensino básico e secundário (2488), os educadores de infância e docentes do ensino básico e secundário (1464), bem como os assistentes operacionais (1201)", indica a DGAEP.

Mas se compararmos com o segundo trimestre do ano, verifica-se uma diminuição do número de funcionários públicos. Este decréscimo é explicado com a transição do ano letivo em que muitos professores ainda não estarão colocados, sendo um efeito meramente estatístico que acontece todos os anos.

Menos médicos

Outro dado que salta à vista nesta síntese do emprego público é o facto de ser referida uma diminuição do número de médicos no terceiro trimestre. "A diminuição de 596 na carreira médica está relacionada com o final do internato e respetiva caducidade dos contratos em funções públicas a termo (no âmbito da formação)", lê-se no documento divulgado ontem ao início da noite, indicando que "ainda está a decorrer o procedimento concursal para a celebração de contratos por tempo indeterminado".

Fonte Dinheiro Vivo