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A formiga no carreiro

A formiga no carreiro

15.Dez.14

Reivindicações das greves nas empresas são recusadas 88% das vezes

Trabalhadores fizeram 119 greves em 2013, menos oito do que no ano anterior. Salários foram o motivo mais frequente.

 

São poucas as vezes em que as greves nas empresas produzem os resultados pretendidos. De acordo com dados do Governo, 88,1% das reivindicações são recusadas, enquanto 9,5% são parcialmente aceites e apenas 2,4% são atendidos na totalidade.

Os números são de um relatório do Ministério da Economia, que se debruça sobre as greves do ano passado no território continental e que exclui a função pública. A informação é compilada a partir dos avisos prévios de greve e de informação entregue pelas empresas.

O estudo indica que as questões salariais são o motivo mais frequente para estes protestos, representando cerca de um em cada cinco casos. Seguem-se as greves motivadas pelas condições de trabalho e as relacionadas com o estatuto e estrutura da empresa (17,1% em cada um dos casos). Em terceiro lugar, surgem as greves relacionadas com questões de emprego e formação – foram 12,5% das 119 greves registadas em 2013, a maioria das quais atingiu apenas uma empresa.

 

Os números mostram também que o ano passado foi menos reivindicativo do que o anterior. Em 2012, naquele que foi o primeiro ano completo após o empréstimo internacional datroika, o número de greves ascendeu a 127 e estas abrangeram 92.324 trabalhadores. Já as 119 greves de 2013 totalizaram 70.405 pessoas. Em qualquer dos casos, os números estão muito acima de 2011, ano em que 88 greves mobilizaram 58.413 trabalhadores.

Feita as contas, os protestos ao longo do ano passado significaram o equivalente a 77.148 dias de trabalho perdidos (contra 112.984 em 2012). Em média, cada greve traduziu-se na perda de 648 dias de trabalho.

O sector do transporte e armazenagem foi, de longe, o mais reivindicativo e foi responsável por mais de metade de todos os protestos. As 62 greves nas empresas desta área são quase o dobro do segundo sector com mais paralisações – o sector das indústrias transformadoras, onde se registaram 34 protestos.