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A formiga no carreiro

A formiga no carreiro

09.Jul.14

Secretário de Estado garante agilidade no recrutamento de pessoal

Na reunião mantida ontem, 8 de julho, com o Secretário de Estado da Administração Pública a propósito do projeto de Decreto‐Lei que visa enquadrar os suplementos remuneratórios da Administração Pública, a FESAP aproveitou para solicitar esclarecimentos acerca das contratações de pessoal que terão que ser feitas em alguns setores da Administração Pública, em especial na Saúde, tendo em conta que, em alguns serviços, estão a ser alcançados pontos de rutura que comprometem, não apenas a saúde física e mental dos trabalhadores, como também a qualidade dos serviços prestados à população.
Perante Leite Martins, a FESAP expôs algumas situações de falta de pessoal em inúmeros hospitais do país, tendo dado especial enfoque à que se verifica na Unidade de Aveiro do Centro Hospitalar do Baixo Vouga, cuja falta de assistentes operacionais e assistentes técnicos já ultrapassou os limites do admissível.
Nessa unidade de Saúde, os trabalhadores têm‐se visto obrigados a trabalhar turnos consecutivos e sem as devidas horas de descanso. Como agravante, a estes trabalhadores tem sido exigida a tarefa de rececionar os cadáveres que vêm do exterior do Centro Hospitalar, tarefa esta que é da competência do Ministério da Justiça e que levanta uma série de questões, tanto processuais como de investigação criminal que possam estar subjacentes aos referidos cadáveres.


Esta é uma situação que se deve à falta de pessoal que se vem sentindo de há alguns meses a esta parte, já que têm sido muitos os trabalhadores que se têm aposentado e as admissões para sua substituição têm sido poucas ou nenhumas, colocando em causa, não só as condições de trabalho como também a própria qualidade dos serviços prestados, sendo esses os motivos que levaram à convocação de uma greve às horas extraordinárias em todo o Centro Hospitalar do Baixo Vouga que durará até ao final do ano ou até que seja resolvida esta situação.
A FESAP insurgiu‐se ainda contra o facto de existirem hospitais que estão a recorrer a trabalhadores do Programa Ocupacional de Trabalhadores Subsidiados e a trabalhadores de empresas prestadoras de serviços, para desempenharem funções para as quais não estarão preparados, nem habilitados em substituição de trabalhadores dos quadros.


Perante o exposto, o Secretário de Estado informou que existe um entendimento entre o Ministério da Saúde e o Ministério das Finanças no sentido de que este último dê prioridade e desbloqueie com a máxima celeridade tanto os processos de recrutamento, sobretudo de médicos, mas também de assistentes operacionais e assistentes técnicos, como os processos de aquisição de serviços.
A FESAP espera que as palavras de Leite Martins sejam mais do que apenas isso e se traduzam em atos que contribuam efetivamente para a melhoria das condições de trabalho e da qualidade dos serviços prestados, não só no setor da Saúde mas também em todos os outros setores da Administração Pública. 


Lisboa, 9 de julho de 2014