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A formiga no carreiro

A formiga no carreiro

02.Mar.17

Semana das 35 horas penalizou retoma em 2016

Economia cresce 1,4% em 2016 e acelera até 2% no 4.º trimestre, puxada por consumo privado e investimento. Importações disparam.

A reposição da semana de trabalho dos funcionários públicos, de 40 para 35 horas, penalizou o crescimento real da economia em 2016, diz o Instituto Nacional de Estatística (INE), que ontem divulgou as contas nacionais anuais e até ao quarto trimestre do ano passado. A economia cresceu, em termos reais, 1,4% no ano passado e acelerou no quarto trimestre para 2%, tendo as expansões de todos os trimestres de 2016 sido revistas em alta ligeira (uma décima).

 

O consumo privado (+2,5%) foi a rubrica da despesa que mais ajudou o país a chegar aos 2% de crescimento no final do ano transato; o investimento interrompeu, finalmente o ciclo de descidas que já vinha desde o primeiro trimestre de 2016 (subiu 2,6%), mas as exportações, que aumentaram 6,4%, muito apoiadas no “forte crescimento do turismo, acabaram por ser ofuscadas pela subida acentuada das importações (+7,3%).

 

Sem nunca quantificar o efeito (“não é possível individualizar”) da medida das 35 horas, o INE explica, em resposta ao Dinheiro Vivo, que a redução do horário normal dos funcionários públicos em cinco horas conduziu a um aumento do custo salarial por hora trabalhada, isto é, com os mesmos salários, a hora de trabalho tornou-se mais cara. Isso levou ao aumento do deflator (variação de preço) do consumo público pelo que, em termos reais (descontando essa variação de preço ao consumo público nominal), acabou por ocorrer um efeito negativo em volume.

 

“Em 2016, com a diminuição do horário de trabalho de 40 para 35 horas semanais, verifica-se um aumento do deflator da componente remunerações e, consequentemente, um efeito negativo em volume. O aumento do deflator relativo à componente remunerações que integra o consumo público decorre do facto de existir um aumento das remunerações pagas por hora trabalhada.

 

Deste modo, para o mesmo valor (nominal) de remuneração, o respetivo deflator é mais elevado, traduzindo um efeito negativo em volume”. O consumo público cresceu, 1,1% no primeiro semestre, mas na segunda metade do ano, não foi além dos 0,5%. A semana das 35 horas entrou em vigor a 1 de julho de 2016, justamente.

 

O INE recorda que em 2013, quando o horário público aumentou de 35 para 40 horas semanais, o efeito foi o contrário, ajudando a dinâmica real da economia. Na altura, o deflator reduziu-se porque a hora de trabalho acabou por ser desvalorizada pela medida do anterior governo PSD-CDS. Economia ganha um pouco de força Em todo o caso, o dia de ontem trouxe, sobretudo, boas notícias. Confirmou-se que a expansão de 1,4% do PIB em 2016 superou todas as previsões.

 

No último trimestre, “as despesas de consumo final em bens duradouros das famílias residentes registaram um crescimento mais intenso, de 12,5% em termos homólogos (6,2% no 3.º trimestre), com destaque para a aquisição de automóveis”. A construção foi “a componente que mais contribuiu para a recuperação” do investimento. A aceleração das exportações resultou do forte crescimento do turismo, dado que os outros serviços desaceleraram. “A aceleração do PIB está ancorada em sinais positivos para o futuro” e “o investimento teve o principal contributo”, garantem as Finanças, em reação aos números do INE.

 

Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente da República, repetiu que “precisamos de um crescimento claramente acima de 2% para aguentar a economia, promover a justiça e tornar possível o controlo défice”. A melhor das previsões mais recentes feitas por várias instituições aponta para um crescimento de apenas 1,6% este ano (Comissão Europeia)

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