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A formiga no carreiro

A formiga no carreiro

02.Mar.20

Trabalhar quatro dias por semana? Já se pratica em Portugal, mas só para alguns

Há quem já só trabalhe quatro dias por semana, mas a generalização desta prática “é difícil na atual cultura em Portugal”

em sido uma das tendências a nível laboral mais faladas nos últimos tempos, mas ainda não há empresas de grande dimensão a aplicar a semana de quatro dias de trabalho à generalidade dos colaboradores.

No ano passado, a Microsoft do Japão testou durante um mês o horário laboral de quatro dias semanais. Registou um aumento de produtividade de 40%, uma redução em 23% na conta da eletricidade e a indicação que 90% dos colaboradores sentiu um impacto positivo com a medida, que até ajuda a tirar carros das ruas e a melhorar o trânsito. No entanto, a empresa ainda não generalizou o teste.

Além de outras experiências feitas em empresas, há governantes adeptos da ideia, como é o caso da primeira-ministra finlandesa – no entanto, não o incluiu no seu programa de governo. Em Portugal (ver texto ao lado), há várias empresas a aumentar as soluções de flexibilidade laboral e a permitir aos funcionários um regime apelidado de part-time (permanente ou por um período de tempo), que permite trabalhar quatro dias por semana (ou até menos). Há colaboradores a beneficiar disso mesmo em empresas como Xerox Portugal, Worten ou a Blip e a JLL em Portugal dá a tarde de sexta-feira a todos os colaboradores. Catarina Carvalho, professora em Direito laboral da Universidade Católica do Porto, admite que a legislação nacional encara estas hipóteses como exceção e não como regra. No entanto, a lei já permite a semana de quatro dias de trabalho mesmo que “não seja aconselhado a nível de saúde trabalhar-se de forma frequente até 12 horas por dia”. O regime chamado de horário concentrado, por exemplo, permitiu à pequena startup de recrutamento Humaniaks colocar os seus quatro funcionários a trabalhar até 12 horas quatro dias por semana.

Apesar destes exemplos, generalizar a ideia a empresas maiores é algo visto como difícil. Maria Alexandra Pires, da Xerox Portugal, admite que podia haver vantagens na produtividade, mas que seria necessário “mudar muita coisa em Portugal, inclusive a nível cultural”. Sara Sousa, da Blip, concorda e adianta que há dificuldades legais no país que não ajudam.

A SAS Portugal admite que ainda não considerou a hipótese, mas se Portugal quisesse estabelecer a redução da semana laboral estariam adaptados para “pô-la em prática de forma imediata”. Mas há outras empresas com regimes peculiares entre o tempo de trabalho ou a localização em que ele é feito.

A BinaryEdge, que tem soluções de cibersegurança e foi vendida por dezenas de milhões de euros recentemente a uma tecnológica dos EUA, é feita por portugueses a trabalhar de suas casas em full time desde Zurique, na Suíça, Londres, no Reino Unido e Faro e Lisboa, em Portugal. O diretor de engenharia da Web Summit é português e gere a sua equipa a partir de sua casa, por exemplo. “O importante para nós é a qualidade do trabalho feito, não é nem o horário nem o local onde se trabalha”, dizia-nos no verão Paddy Cosgrave.

Fonte Dinheiro Vivo